“Books are finite, sexual encounters are finite, but the desire to read and to fuck is infinite; it surpasses our own deaths, our fears, our hopes for peace.” ― Roberto Bolaño
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Regras
terça-feira, 26 de junho de 2012
A Radically Condensed History of Postindustrial Life - David Foster Wallace
quinta-feira, 29 de março de 2012
O Polícia
Estava sentado numa pequena cadeira, junto ao balcão do café. Bebia um copo ou outro, porque tinha acabado de sair do serviço. Era apenas para relaxar. O empregado do café permanecia de pé à espera de clientes. A sala principal era um local pouco iluminado, mas arrumadinho. Ao fundo dessa sala uma televisão passava um jogo de futebol. De vez em quando o homem virava a cara, concentrava-se e tentava saber qual o resultado.
O outro homem sentou-se ao lado do primeiro homem. O primeiro homem, de vez em quando, levantava o chapéu e coçava a cabeça, em sinal de aborrecimento. O segundo homem, depois de pedir um copo para aliviar a tensão, reparou no esforço do primeiro homem sempre que tentava ver o resultado do futebol. Estranhando a falta de visão do homem perguntou-lhe como fazia quando era para apanhar ladrões, uma vez que não via muito bem. O polícia respondeu-lhe que, na maior parte das vezes, fechava os olhos. Não porque era mais fácil, mas porque se sentia muito cansado.
De Tudo o que acontece
(José Duarte)
Saúde Pública
O homem olhou desconfiado, arqueou a sobrancelha, e depois de algum espanto, fingiu-se desinteressado, embora não conseguisse tirar os olhos do objecto. O outro homem tinha nas suas mãos um pequeno tubo no qual estava um líquido. Apontava o tubo para a luz e sorria. Dizia que com aquela vacina, finalmente, poderiam salvar os animais dos homens e, enfim, tornar o mundo um lugar mais arrumado. O primeiro homem olhou para o segundo e perguntou: - Tem a certeza disso, Herr Doctor?
De Tudo o que acontece
(José Duarte)