“Books are finite, sexual encounters are finite, but the desire to read and to fuck is infinite; it surpasses our own deaths, our fears, our hopes for peace.” ― Roberto Bolaño
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Of Mutability - Jo Shapcott
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Bucólico en plural por momentos mayestático
la inactividad procuramos extraer provecho y conclusiones. Cuando no
producimos nada concreto nos engañamos con el placebo de la
“experiencia”, que se produce a sí misma: máquina hermosa y
autosuficiente que habría deleitado a Leonardo. Cuando temblamos por la
resaca y vomitamos en la regadera y pasamos la mañana espantando el
fantasma de la derrota con abluciones y café y lecturas clásicas decimos
que la experiencia es un pájaro negro encerrado en el cuarto. Y
entendemos que está bien que así sea, porque es jueves, y es verano, y
todos los errores que hemos cometido para llegar hasta aquí son finalmente
nuestros –hijos rosados en la primera infancia que juegan futbol en los
callejones, en las plazoletas vacías de la cabeza–. Cuando nos sentamos
como exánimes en el filo del ocio y nos sentimos nimbados por el miedo a la
muerte como un Cristo Pantocrátor en anfetaminas decimos que el envés
plateado de las hojas en el parque de enfrente es un saludo modesto que
nos dirigen las cosas invisibles, y lo aceptamos porque es jueves, y es
verano, y hace tiempo que no nos permitíamos rompimientos de gloria
completamente disociados de las producciones culturales al uso. Y a veces
está bien que lo hagamos. Que perdamos el tiempo, quiero decir; que
abracemos el pánico como a un padre marchito. Porque es jueves, y es
verano, y las horas se acaban más pronto que tarde. ~
Daniel Saldaña París. Mais informação, aqui.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Anne Sexton - The Room of My Life
terça-feira, 28 de agosto de 2012
A Cidade Líquida - Filipa Leal
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Já gástamos as palavras, meu amor - Eugénio de Andrade
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava!
Acreditava,
porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os teus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os teus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...
já não se passa absolutamente nada.
E, no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos nada que dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade, in Poesia e Prosa
segunda-feira, 25 de junho de 2012
White Nights - Paul Auster
and the body says: whatever is said
is not to be said. But no one
is a body as well, and what the body says
is heard by no one
but you.
of a murder
among the trees. The pen
moves across the earth: it no longer knows
what will happen, and the hand that holds it
has disappeared.
It writes: in the beginning,
among the trees, a body came walking
from the night. It writes:
the body’s whiteness
is the color of earth. It is earth,
and the earth writes: everything
is the color of silence.
what you say
I have said. And yet, the body is a place
where nothing dies. And each night,
from the silence of the trees, you know
that my voice
comes walking toward you.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Elogio da Solidão - José Alberto Oliveira
em quantas salas se acomoda a solidão.
Cozinhou o jantar e come atentamente
como todos quantos dividem a comida em silêncio:
o náufrago, o mendigo, o oleiro na lancheira.
Coze o seu barro, um jeito de partir o pão
que deve ao tempo uma lentidão coalhada.
O ruído do vizinho não o incomoda.
Nenhuma fala ou resíduo humano leveda
uma página ao acaso. Pode decidir beber mais vinho
ou inaugurar a leitura de outro livro.
Mesmo sair para beber café e mastigar o frio.
No pasto, a chuva rega a placidez do boi;
abana a cabeça, fumegam as narinas,
desenha-se num fundo de pinhal que o vento
castiga; na caruma molhada pressente-se
o rumor de um cão absorto na ilusão
do que procura. Coisas mínimas, irrisórias,
vão salvar o resto da noite de presumir felicidade.
Lá fora a cidade está cercada na convicção
das suas vidas perdoáveis, mercando
um alimento longamente dispensável
- a respiração em vitualhas e sarcasmos,
a pobreza irresignável e irresolúvel,
o cansaço de não estar só e não querer estar.
José Alberto Oliveira
por alguns dias
Assírio & Alvim, 1992
Retirado daqui
quinta-feira, 22 de março de 2012
Um quarto com vista para o Hudson
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Margarida Ferra - Curso Intensivo de Jardinagem
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Exercício de Ruptura
ela espera-o ansiosamente.
sempre que pode, sonha com ele a entrar em casa,
a mão a abrir a porta, a cumprimentar o cão de loiça,
a abrir os braços em vez de os levantar.
tem uma manta de retalhos que lhe quer oferecer
e que faz e desfaz, dado o nervosismo,
a incerteza de que o produto não é fiel.
trata as fotografias antigas por tu,
como velhas companheiras de viagem e
chora a ausência da sua antiga família.
quando vê filmes, também ela
acha que já foi rainha.
ele é camionista ou imigrante ou sei lá.
de vez em quando telefona-lhe e diz que
em breve estará em casa.
ela ouve sons, a estrada, o asfalto,
às vezes os motéis, quase que tosse de sentir tanta sujidade,
as sirenes, a água a correr.
ela quando pode deita-se e sonha.
aguarda. ele quando se deita sabe que não poderá
regressar.

