Lembro que uma senhora trabalhava na minha casa e orava muito. Ela
cozinhava orando e às vezes varria a casa lagrimando. Dona Lígia. Nunca
esqueço o rosto da dona Lígia. Um rosto de compadecimento com o
sofrimento alheio. Uma expressão cansada de esperança num mundo melhor.
Eu liguei a televisão. e vi o avião acertando a primeira torre e depois
outro detonando a segunda. Ela se ajoelhou de cara pra parede e começou a
chorar. Começou a pronunciar palavras em línguas estranhas. Fiquei
calado. Acho que a fé da dona Lígia me deixava sem palavras. Sem ter o
que dizer. Todos os canais de noticias temiam uma terceira guerra
mundial e resolvi me trancar e orar também. Não me ajoelhei. Sentei a
bunda na beira da cama e comecei a visualizar com força um mundo melhor.
O tempo passou. […]
Diego Moraes. Dentro do Meu Peito Você Pode Cultivar a Solidão o Ano Inteiro. Lisboa: Douda Correria, 2017.
“Books are finite, sexual encounters are finite, but the desire to read and to fuck is infinite; it surpasses our own deaths, our fears, our hopes for peace.” ― Roberto Bolaño
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sexta-feira, 19 de maio de 2017
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