De negociar e traficar
estou farto.
Je est un autre.
A que distância dele, disso,
em outro me tornei?
Escrevo à minha mãe.
Quantas dores, queixumes lhe envio?
Dou-lhe conta de desacertos
lucros, prejuízos.
Je est un autre.
Sempre o soube.
Acaso saberei?
Isto te queria dizer, mãe.
Perdi a vida.
Par délicatesse, par délicatesse.
Por apenas isso, pedir.
Isto te queria dizer, mãe,
na última carta que não escrevi.
Agora que falamos de morrer, 2006.
“Books are finite, sexual encounters are finite, but the desire to read and to fuck is infinite; it surpasses our own deaths, our fears, our hopes for peace.” ― Roberto Bolaño
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sexta-feira, 21 de setembro de 2018
sexta-feira, 29 de março de 2013
Um poema de Helga Moreira
Canta, embebeda-se pelos bares
ou não se embebeda e só o luar
guarda na mala
ou não canta e tece
pequenos vestígios de fogo.
Recorda macieiras, papoilas,
alguma poeira imperceptível,
febres de verão.
in Poesia Digital: 7 poetas dos anos 80, Campo das Letras, 2002
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