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domingo, 21 de abril de 2013

Amores de Verão - José Duarte


Amores de Verão


Aguardava sempre os meses de Verão para conhecer as miúdas novas que vinham da grande cidade passar uns dias à terra dos avós. Depois de as conhecer esperava o momento certo para começar a sofrer antecipando a sua partida.


De Dias Úteis, a sair um dia destes.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

o coração ou a gravidade


Marc Chagall, "Autumn in the Village", 1887-1985

dissemos que os nossos corações estão vazios,

como num processo de insolvência,


dado os empréstimos que fizemos à saudade.


agora que não podemos pagar as dívidas de amor

estamos hipotecados com o corpo.


José Duarte

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

As Aves


as aves voam em sentidos

estranhos à sua orientação
riscando o céu

com um fio,

sem migrações
não há movimento

e as penas
amontoam-se
enchendo

as nossas bocas.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Primeiras Impressões - O primeiro post

Poema inédito:


I

comprometemo-nos com a palavra

e não ganhamos nada, apenas a aventura

da incerteza quando o que dizemos toma conta de nós

como um fogo e decidimos contar ao mundo como é belo

o poder, como é terrível o poder

como as mãos tremem ainda

na ponta da caneta desenha-se a extensão de um canivete

que começa a cortar, empilhando as letras como nas palavras cruzadas

um jogo de idade que nos toma todo o tempo do mundo,

um jogo complicado onde a mente empata com a voz

porque a mão não se decide a escolher

qual o termo exacto, qual a maneira mais certa de dizer

falar para o papel

a difícil arte faz-nos suar temporariamente e viaja na nossa

cabeça enquanto experimentamos a passos pequenos um lado

do passeio, depois outro

o corpo a andar, esquerda, direita

e, por vezes, impreciso pára e recomeça

a caneta

desliza lentamente agrupando as ideias

para, em seguida, as espalhar como uma colagem

e isto é tudo o que acontece

como acontece ao corpo

querer dizer e não poder falar