“Books are finite, sexual encounters are finite, but the desire to read and to fuck is infinite; it surpasses our own deaths, our fears, our hopes for peace.” ― Roberto Bolaño
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quinta-feira, 17 de maio de 2018
quarta-feira, 2 de maio de 2018
sexta-feira, 13 de abril de 2018
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
2017
Música (sem ordem de preferência e sem ordem aparente):
1. The War on Drugs - A Deeper Understanding
2. Angel Olsen - Phases
3. St. Vincent - Masseduction
4. Cigarettes After Sex - Cigarettes After Sex
5. Destroyer - Ken
6. Grizzly Bear - Painted Ruins
7. Fleet Foxes - Crack Up
8. Elbow - Little Fictions
9. The XX - I See You
10. Father John Misty - Pure Comedy
11. Mac de Marco - This Old Dog
12. Luís Severo - Luís Severo
Livros (entre poesia, ficção e não ficção)
1. There are More Beautiful Things than Beyoncé - Morgan Parker (poesia)
2. Hollywood Forever - Harmony Holiday (poesia)
3. White Sands Experiences from the Outside World - Geoff Dyer (é de 2016, mas li este ano e achei que devia contar - não-ficção)
4. Imagens Roubadas - Fernando Guerreiro (poesia/ensaio/não ficção)
5. O Deslumbre de Cecilia Fluss - João Tordo (obviamente devo aqui incluir os outros dois livros desta trilogia - O Luto de Elias Gro e O Paraíso Segundo Lars D.)
6. Falling Awake - Alice Oswald
7. M Train - Patti Smith (também só o li este ano, mas é intemporal)
8. The Girl in the Spider's Web - David Lagercrantz (o seguimento dos livros do Stieg Larsson)
9. Hotel, Os Bastidores - Inês Brasão (não ficção)
10. A Noite Imóvel - Luís Quintais (poesia)
Filme
1. Paterson - Jim Jarmusch
2. Good Time - Josh & Bennie Sadie
3. Aquarius - Kleber Mendonça Filho
4. Lucky - John Carrol Lynch
5. I Don't Feel at Home in This World Anymore - Macon Blair
6. Lady Bird - Greta Gerwig
7. I Am Not Your Negro - Raoul Peck
8. The Florida Project - Sean S. Baker
9. Logan: The Wolverine - James Mangold
10. The Meyerowitz Stories - Noah Bambauch
11. Win it All - Joe Swanberg
Existem muitos mais que poderia escolher...
1. The War on Drugs - A Deeper Understanding
2. Angel Olsen - Phases
3. St. Vincent - Masseduction
4. Cigarettes After Sex - Cigarettes After Sex
5. Destroyer - Ken
6. Grizzly Bear - Painted Ruins
7. Fleet Foxes - Crack Up
8. Elbow - Little Fictions
9. The XX - I See You
10. Father John Misty - Pure Comedy
11. Mac de Marco - This Old Dog
12. Luís Severo - Luís Severo
Livros (entre poesia, ficção e não ficção)
1. There are More Beautiful Things than Beyoncé - Morgan Parker (poesia)
2. Hollywood Forever - Harmony Holiday (poesia)
3. White Sands Experiences from the Outside World - Geoff Dyer (é de 2016, mas li este ano e achei que devia contar - não-ficção)
4. Imagens Roubadas - Fernando Guerreiro (poesia/ensaio/não ficção)
5. O Deslumbre de Cecilia Fluss - João Tordo (obviamente devo aqui incluir os outros dois livros desta trilogia - O Luto de Elias Gro e O Paraíso Segundo Lars D.)
6. Falling Awake - Alice Oswald
7. M Train - Patti Smith (também só o li este ano, mas é intemporal)
8. The Girl in the Spider's Web - David Lagercrantz (o seguimento dos livros do Stieg Larsson)
9. Hotel, Os Bastidores - Inês Brasão (não ficção)
10. A Noite Imóvel - Luís Quintais (poesia)
Filme
1. Paterson - Jim Jarmusch
2. Good Time - Josh & Bennie Sadie
3. Aquarius - Kleber Mendonça Filho
4. Lucky - John Carrol Lynch
5. I Don't Feel at Home in This World Anymore - Macon Blair
6. Lady Bird - Greta Gerwig
7. I Am Not Your Negro - Raoul Peck
8. The Florida Project - Sean S. Baker
9. Logan: The Wolverine - James Mangold
10. The Meyerowitz Stories - Noah Bambauch
11. Win it All - Joe Swanberg
Existem muitos mais que poderia escolher...
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domingo, 27 de dezembro de 2015
O capitão continua desaparecido
O capitão
continua desaparecido,
ninguém o
consegue encontrar.
O tempo foge.
Ficámos parados em
terra meses a
fio. Aprendi
todo o tipo de profissões:
até me
ensinaram a ler o reflexo
do sol nas águas
de diferentes
oceanos, uma
espécie de cinema
do mundo. Mandaram-nos
procurar outros
portos fora
desta terra. Vezes e
vezes sem
conta resistimos.
Nestas águas existem muitos peixes
e, por vezes, surgem alguns animais
gigantes. Ninguém conseguiu
encontrar a grande Baleia Branca,
por isso mesmo também não
conseguimos encontrar o capitão
quando fizemos as primeiras
missões de salvação. Só encontrámos
destroços, madeira e algumas roupas.
Mais do que isso apenas e só um grande
turbilhão. Às vezes imagino a mão do
capitão estendida acima das águas.
Continuar por aqui pode
parecer um erro, mas não há outra
alternativa. Se avistarmos a Baleia
talvez tenhamos também a nossa
hipótese de vingança. Mas continuam a
insistir na pequena quantidade de peixe
deste oceano e dizem-nos
que em outros portos tesouros saltam
à vista. Alguns dos meus companheiros
embarcaram em grandes navios
na esperança de encontrar essas riquezas.
Homens dos mar só sabem pescar. É o que
melhor fazem na vida.
O capitão continua desaparecido. Eu fico por
aqui. Só conheço a minha história,
e a história desses homens para quem
não existe mais nada a não ser o mar.
quarta-feira, 15 de abril de 2015
Lançamento de Natural in Verso - Antologia de textos criativos sobre a natureza
A sessão contará com leituras de: Ana Marques, António Poppe, Diana V. Almeida, David Klein, Isabel Alves, Jeffrey Childs, Mário Avelar, Miguel Castro Caldas, Miguel Cardoso, Patrícia Câmara, Suzana Ramos, Teresa F. A. Alves, entre outros.
Apareçam!
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Inversão de Marcha
Às vezes é só isto.
Querer o controlo absoluto
do destino e não conseguir.
Manobras diversas com um carro
e ter que subir a merda do passeio
para evitar bater na carrinha ao lado.
Quem disse que isto tudo é fácil?
Ninguém, eu sei.
Um gajo aguenta-se, diz umas asneiras
segue em frente. E é bom verificar sempre
se a suspensão está boa.
É necessário voltar a pegar no carro e
nunca se sabe quando se perde o controlo.
José Duarte
Querer o controlo absoluto
do destino e não conseguir.
Manobras diversas com um carro
e ter que subir a merda do passeio
para evitar bater na carrinha ao lado.
Quem disse que isto tudo é fácil?
Ninguém, eu sei.
Um gajo aguenta-se, diz umas asneiras
segue em frente. E é bom verificar sempre
se a suspensão está boa.
É necessário voltar a pegar no carro e
nunca se sabe quando se perde o controlo.
José Duarte
quinta-feira, 19 de março de 2015
Madrid
Vês, apesar de me faltarem as
palavras
bem me tento expressar e, melhor ou pior,
qualquer coisa vai saindo, nem que seja noutra
língua e com uma hora de diferença.
Enquanto descíamos as ruas, maravilhosos
braços de alcatrão, ensinava-te a dizer
sítios e gentes, coisas e sentimentos
e se a fome apertava
(para mim era sempre cedo)
paella, bocadillo ou churros con chocolate
serviam de alimento
ocupando as horas em que algum silêncio
se instalava
a cidade aberta
e na tua memória o interminável jardim,
um lago imenso repleto de barcos e pessoas
que nem sequer
sabiam remar
no regresso a palavra que nunca esquecerás:
lechuga
que nem chegámos a provar.
José Duarte
palavras
bem me tento expressar e, melhor ou pior,
qualquer coisa vai saindo, nem que seja noutra
língua e com uma hora de diferença.
Enquanto descíamos as ruas, maravilhosos
braços de alcatrão, ensinava-te a dizer
sítios e gentes, coisas e sentimentos
e se a fome apertava
(para mim era sempre cedo)
paella, bocadillo ou churros con chocolate
serviam de alimento
ocupando as horas em que algum silêncio
se instalava
a cidade aberta
e na tua memória o interminável jardim,
um lago imenso repleto de barcos e pessoas
que nem sequer
sabiam remar
no regresso a palavra que nunca esquecerás:
lechuga
que nem chegámos a provar.
José Duarte
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Um poema
H. was always holding
love. I praised her for her
‘masculine virtues’.
I am very pleased with it.
And ready to go on to the
next.
When you enjoy
doing them you will
learn and achieve something
between sex
frankness, fairness
andchilvary
also poor, warped
fragments of humanity.
De 'Observations', José Duarte.
A sair um dia destes.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
heart skipped a beat
Até o telemóvel se recusou
a eliminar de uma assentada o teu
nome. Tive de apagar, passo a passo,
linha a linha, todos os teus dados
pessoais. Sábado de manhã e era curioso ser
no mesmo dia em que te telefonei para
saber como estavas: à rasca de dinheiro,
como sempre. Disse que te emprestava,
melhor, que te dava uns euros, fazendo
nota mental de que esta seria
a última vez que o fazia. E naquele dia ouvi
a tua voz pela última vez. Nunca saberei
se quando caíste ias levantar o dinheiro
que tinha depositado na conta: o cartão no bolso
da camisa, juntamente com outros papéis.
Se soubesse não te teria emprestado o
dinheiro. Mas a tua voz impediu-me
de o fazer. Entre a cozinha e o quarto,
descalço, semi-nu, desgraçado, a camisa
com o cartão de um lado e, do outro, as
pernas frias. Hoje sei que se te quisesse
telefonar apenas ouviria o voice-mail
para deixar uma última mensagem,
algo que nunca tive oportunidade de
fazer. O bip incessante impõe a sua
oca presença e a tua ausência, por isso
preferi apagar o teu nome, o teu número
e outros dados mais insignificantes, na certeza
de que, agora, não precisarás que te empreste
mais dinheiro.
José Duarte, série Biografia não oficial.
a eliminar de uma assentada o teu
nome. Tive de apagar, passo a passo,
linha a linha, todos os teus dados
pessoais. Sábado de manhã e era curioso ser
no mesmo dia em que te telefonei para
saber como estavas: à rasca de dinheiro,
como sempre. Disse que te emprestava,
melhor, que te dava uns euros, fazendo
nota mental de que esta seria
a última vez que o fazia. E naquele dia ouvi
a tua voz pela última vez. Nunca saberei
se quando caíste ias levantar o dinheiro
que tinha depositado na conta: o cartão no bolso
da camisa, juntamente com outros papéis.
Se soubesse não te teria emprestado o
dinheiro. Mas a tua voz impediu-me
de o fazer. Entre a cozinha e o quarto,
descalço, semi-nu, desgraçado, a camisa
com o cartão de um lado e, do outro, as
pernas frias. Hoje sei que se te quisesse
telefonar apenas ouviria o voice-mail
para deixar uma última mensagem,
algo que nunca tive oportunidade de
fazer. O bip incessante impõe a sua
oca presença e a tua ausência, por isso
preferi apagar o teu nome, o teu número
e outros dados mais insignificantes, na certeza
de que, agora, não precisarás que te empreste
mais dinheiro.
José Duarte, série Biografia não oficial.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Um dia chegamos e fazemos
um dia chegamos e fazemos e acontecemos
falamos em línguas muitas como quem não quer
a coisa e, depois, se nos sentirmos satisfeitos
arrumamos os nossos problemas para um canto
experimentamos as novidades do mercado
evitamos discussões e pode ser que apareça
qualquer coisa de interessante
José Duarte, Série Biografia não oficial
falamos em línguas muitas como quem não quer
a coisa e, depois, se nos sentirmos satisfeitos
arrumamos os nossos problemas para um canto
experimentamos as novidades do mercado
evitamos discussões e pode ser que apareça
qualquer coisa de interessante
José Duarte, Série Biografia não oficial
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Two Pieces
Antes
Tentava desviar-lhe o cabelo sempre que este lhe tapava os olhos. A mão
quase chegava a tocar os primeiros fios dourados.
Só que ela voltava a cabeça para o lado, talvez por
vergonha, e ele nunca conseguiu tocar-lhe.
Before
He tried pulling back her hair whenever it covered her
eyes, his hand almost touching her golden locks.
However, she
kept turning her head, probably because she was ashamed, and he never managed
to touch her.
Depois
Agora que se reencontravam era ela que estendia a
mão na tentativa de lhe tocar no cabelo, só que ele distraído como sempre,
virava a cabeça para o lado e nem reparava no seu gesto.
No entanto, ambos sorriam
timidamente. Juntavam as mãos e apertavam-nos com a força de quem não quer
largar. Só não mexiam no cabelo um do outro.
After
Now at their reencounter it was she who tried to
fondle his hair. But he, distracted as always, turned his head around and did
not even notice her hand.
However,
they were both timidly smiling at each other. They join hands and squeeze them
with the strength of those who do not want to let go. They just do not stroke
each other’s hair.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Um poema de José Duarte
o dia começa a encolher
como os corpos
retiram-se dos armários
roupas que a naftalina cristalizou
para o bem
da circulação
Uma Certa Estação, a sair um dia destes
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