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domingo, 27 de dezembro de 2015

O capitão continua desaparecido


O capitão continua desaparecido,
ninguém o consegue encontrar.
O tempo foge. Ficámos parados em
terra meses a fio. Aprendi
todo o tipo de profissões: até me 
ensinaram a ler o reflexo
do sol nas águas de diferentes
oceanos, uma espécie de cinema
do mundo. Mandaram-nos procurar outros
portos fora desta terra. Vezes e
vezes sem conta resistimos. 
Nestas águas existem muitos peixes
e, por vezes, surgem alguns animais
gigantes. Ninguém conseguiu
encontrar a grande Baleia Branca, 
por isso mesmo também não
conseguimos encontrar o capitão
quando fizemos as primeiras
missões de salvação. Só encontrámos
destroços, madeira e algumas roupas.
Mais do que isso apenas e só um grande
turbilhão. Às vezes imagino a mão do 
capitão estendida acima das águas.
Continuar por aqui pode
parecer um erro, mas não há outra
alternativa. Se avistarmos a Baleia
talvez tenhamos também a nossa
hipótese de vingança. Mas continuam a 
insistir na pequena quantidade de peixe
deste oceano e dizem-nos
que em outros portos tesouros saltam
à vista. Alguns dos meus companheiros
embarcaram em grandes navios 
na esperança de encontrar essas riquezas.
Homens dos mar só sabem pescar. É o que 
melhor fazem na vida. 
O capitão continua desaparecido. Eu fico por
aqui. Só conheço a minha história,
e a história desses homens para quem 
não existe mais nada a não ser o mar.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Do livro II: 'Todos os homens são uma noite'


XXII

Ahab parecia pertencer-me.
a solitária Baleia Branca,
Moby Dick, suplanta qualquer
outro aspecto da vida
o baleeiro quer por timidez
grandeza a bordo,
a História Natural afirma que
a experiência, a crença, a «sede de sangue»
continua a viver na
memória de muitos pescadores. o poder quando
submerso continuava a ser
um enigma. É coisa bem conhecida para os
americanos e ingleses, há anos para o homem
a Baleia Branca imortal matéria sólida
desfazendo as baleeiras. Moby Dick cortou
a perna de Ahab
a metade tornava-se granada
do seu coração, dor, segredo.
A loucura humana é profunda:
todas as verdades são
abissais. Os deuses com os seus
uivos pensavam
apenas em vingança implacável,
sobrenatural. encontrar a baleia
a mais mortífera das pragas 

Dias de Tempestade, Edição de Autor, 2012

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Um poema de José Duarte


VI

Atentos ao pregador como um relâmpago
todas as vozes se juntaram para cantar os
uivos da tormenta. Capítulo primeiro:
bem profundos são os abismos da alma
do próprio ventre da baleia.
Sondamos o fundo das águas,
pecadores do
coração empedernido.
Não interessa. É nesta
desobediência que toda
a extensão do mundo
ensaia Sodoma,
enquanto Jonas não reconhecer
um homem honesto com a próxima maré.
O ar circula mal devido
ao peso da alma, cujo sangue
se esvai incessantemente.
O mar revoltou-se por cima
da cabeça de Jonas com
a boca escancarada para engoli-lo.
A lua pálida ilumina tudo em vão.
A baleia cerra os dentes
de marfim.
Apaziguou-se.
Erecto e de olhos fechados ficou
para ouvir dos mais violentos turbilhões.
Ordenou à baleia, com
as orelhas ainda cheias do rumor do oceano,
a verdade, felicidade segura, profunda
e cobriu o rosto com as mãos.

in Dias de Tempestade, 2012, edição de autor. 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Dias de Tempestade


Dias de Tempestade
Edição de autor, 96 páginas.

Design de Sara Didelet

O lançamento está para breve. Este livro já pode ser adquirido via mail

O preço de venda é 10 euros (mais portes de envio, caso o livro seja enviado por correio).