foi talvez a nossa última canção.
oiço ainda os corpos a vincar a noite,
um campo minado de corações tristes
explodindo o rosto na parede.
muitas músicas depois
quando as paredes eram já outras
e nas caras se perdiam novos nomes
voltei a ela: ficara-me sempre, afinal,
um terrível verso solitário
e a culpa de a ter levado
a um coração onde as canções
morreriam de frio.
Renata Correia Botelho. Small Song. Averno, 2010.
“Books are finite, sexual encounters are finite, but the desire to read and to fuck is infinite; it surpasses our own deaths, our fears, our hopes for peace.” ― Roberto Bolaño
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
terça-feira, 6 de março de 2012
Deus nos Lírios
para a minha mãe
sinto deus, todas as noites, nos lírios
de Monet. olham por mim,
por este sombra incerta que morre
aos poucos comigo, cobrem
de seiva a escuridão da casa
e afastam os demónios
que se escondem nas frestas do sono.
pela manhã, junto as pétalas tenras
caídas no lençol, e rezo baixinho,
com os pardais, um verso branco.
Renata Correia Botelho, Small Song, 2010, Averno.
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