Mostrar mensagens com a etiqueta Vasco Gato. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vasco Gato. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Um poema de Vasco Gato

A tarde despedaçou-se
e nunca houve outro anseio
senão esta claridade sem sol,
a lenta supressão de uma morada.
Espiamos as naves que se soletram
a ouvido nenhum,
tocando um do outro
os dedos mais
sinceros.

Estamos prontos para singrar
na noite do nosso
desassossego.

Napule. Tea For One, 2011.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Janeiro - Um poema de Vasco Gato


É esta a completude dos dias
Quando se reúnem sobre a cidade
Os sossegos da nossa idade já meiga.
São estas as palavras que ficam
Desde o interior do nosso mais antigo nome.

É o inverno aberto de janeiro
Com as árvores despidas e o frio azul,
É o ano que começa no tempo que é nada,
Os bolsos que se enchem de mãos,
As casas que parecem mais juntas.

Por esta altura estarão a nascer
As horas mais felizes das nossas vidas
- bebemos chá escutando o lume
E amanhã será um dia a menos,
Um outro som acrescentando à voz,
Um abraço fechando-se até ao amor.

Vasco Gato, in  Um Mover de Mão, Assírio e Alvim, 2000